Pak Khlong Talat, o mercado das flores de Bangkok, conhecido também como mercado das orquídeas, é o maior mercado de flores frescas da cidade. Todos os dias, a medida que o sol quente vai surgindo, as calçadas adjacentes ao mercado transformam-se em um grande caleidoscópio de tonalidades vivas, desabrochando, a medida que os vendedores vão expondo a mercadoria do dia. Mercadoria esta que vem de todos os cantos do reino tailandês, unidos ali numa grande feira viva. Barcos no rio Chão Phraya e caminhões de inúmeras províncias chegam carregando não só flores, mas verduras, especiarias, ervas, frutas e outras iguarias.


vendedora de flor de lótus

Ao caminhar pelas ruas imundas, secando o suor, equilibrando mochila e câmera, percebi que nessa travessia colorida, a verdadeira Tailândia vai revelando suas faces: a enigmática budista, a que mescla perfume de incenso e flores a cheiros de comida, a que recebe um viajante, a que entristece com a desigualdade, a que reverencia seus líderes políticos…
Essa diversidade de cores e cheiros me hipnotizou. Jasmim, orquídeas, flor de lótus, frangipani… Na ala das flores, mulheres concentradas costuravam flores em forma de pulseiras, literalmente, com agulha de crochê. É um trabalho artesanal meticuloso que vira oferenda em templos e santuários, decoração de casamento ou um presente como gesto simpático de boas vindas.


santuário com oferendas


Como tinha chovido, as ruas estavam semi alagadas e pareciam canais de esgoto. Então dobrei minha calça e comecei a explorar o mercado não só com os olhos mas principalmente com o nariz.

O olfato tem ótima memória, então costumo explorar cheiros diferentes. Cheirei todas as flores, frutas e verduras. A variedade era incrível, várias espécies e algumas não identificadas. Umas me deram água na boca, outras lagrimas nos olhos (pimenta!). Nunca imaginei conhecer diferentes espécies de gengibre, capim limão, manjericão, pimenta… sem contar manga, banana, curry amarelo, verde e vermelho.

Andando pelos becos vi a diferença social que testemunharia não apenas no mercado, mas pelo país afora – crianças descalças catavam pimenta e folhas, descalças e sujas, mulheres vestiam trapos rasgados… todos olhavam fixamente para os “farang” (estrangeiros) que por sua vez encaravam e disparavam suas câmeras para os locais. Nenhum dos dois disfarçava que o diferente é o exótico.

Uma pequena pausa no relato da Tailândia. Voltei para o Brasil mas as escapadas não acabaram, e feriado é propício para isso. E como o escapismo é fã do estilo de Virginia Woolf e Clarice Lispector – pensamentos a solta, permito-me assim interromper Bangkok com Maceió.
Maceió – essa aconchegante cidade do nosso Nordeste, apesar do tamanho, tem uma cultura marcante, representada entre outras coisas, pelo seu rico folclore – é a terra do bumba-meu-boi e de Zumbi dos Palmares, além de seus artistas, como Djavan e Graciliano Ramos.
Como ando colocando muitas coisas em perspectiva, não posso deixar de comentar que com seus quase 900,000 habitantes, é mais populoso que o Chipre! (a ilha inteira tem 700,000, e eu morei numa “cidade” dessa ilha).
O nome Maceió vem da palavra em tupi “Maçayó” que significa “o que tapa o alagadiço”. Assim referiam-se os índios a essa terra alagada – com abundância de águas por todos os lados. Já o significado dessa cidade, para quem vai fugir da rotina, é pedacinho de paraíso. Denominação esta, que não é só pelo calor, coqueiros, e praias. Tem algo mais. O ritmo da vida muda, os sorrisos, a tapioca quentinha, a coreografia das folhas dos coqueiros…


Em Maceió, as águas são esmeralda, a brisa é constante, o clima é cálido, a renda é meticulosa, a areia é fina.

O litoral Alagoano é repleto de cenários perfeitos para escapadas – daqueles que dão vontade da gente ficar por lá e nunca mais voltar, daqueles que dá vontade de cantar “Vamos Fugir”. Alias, praia bonita é o que não falta por lá – a do Frances é a mais conhecida, mas com tempo, o ideal é percorrer de carro norte e sul.

A maré baixa forma milhares de piscinas naturais, como na praia de Pajuçara ou praia do Gunga. Ao surgirem, essas pequenas lagoas de água salgada são convidativas para botar mesa e cadeiras e lá mesmo degustar peixe frito ou o sururu – molusco típico.
Na Barra de São Miguel descobrimos o barco do Caio. É uma espécie de escuna que faz um passeio por praias e pontas de águas cristalinas com um chef abordo. Caio, o dono do barco, dono também de uma fabrica de açúcar (o povoado que deu origem a Maceió surgiu num engenho de açúcar), decidiu dedicar-se ao que mais ama – cozinhar. E nada melhor do que juntar essa atividade com outra paixão – o mar. Pagando a entrada, alem de caipiroscas de frutas frescas feitas na hora, tem um tipo de menu confiance – uma seleção de dez pratos, com ingredientes brasileiros com um toque especial. Não é apenas casquinha de siri – tem requeijão. Coração de galinha é com ervas finas e redução de vinho. Salmão cru no shoyu com especiarias. Tiras de file com purê de aipim. Peixe ao forno com ervas. E a lista continua…

tudo fresquinho

e feito na hora

peixada

agulinha

caipiroscas

ou prefere água de coco gelada?

Para artesanatos autênticos, fomos ao Pontal da Barra. Ali encontram-se as diversas criações das rendeiras – seja em toalha de mesa, vestimentas, bolsas, ou panos de todos os tipos. Ou até mesmo o mercado de Pajuçara que tem também artigos de couro, bonecas de barro, redes de diversas cores, bolsas e chapéus de palha, cachaça de todos os tamanhos – com ou sem mel e canela, e muito mais.


Pontal da Barra

rendas
No litoral norte, encontramos na praia de Ipioca um restaurante bon vivant na beira do mar – almofadões brancos em decks perto da areia, redes para um descanso, cabanas de piaçava e local para massagem. Com todo esse ar tropical não podia ter outro nome: Hibiscus.


barraca Hibiscus

deck com almofadões no Hibiscus

Ao regressar a cidade depois de um dia inteiro de praia, é sempre bom andar pelo calçadão. E foi lá que cheguei a conclusão que tapioca está para Maceió como acarajé está para Salvador.


Fim de tarde, ainda de havaianas, sentido a brisa fresquinha na pele queimada, nada como degustar um tapioca feita na hora, sentada numa cadeira de plástico, pés na areia, com uma água de coco gelada e doce. Difícil é escolher o recheio – carne seca com queijo? Queijo coalho ou catupiry? Só queijo? Salgado ou doce? Com a decisão feita, bastou reverenciar a lua cheia, como um holofote saindo do mar e os coqueiros bailando ao redor. Difícil mesmo seria voltar a realidade depois do feriado.

Saindo do aeroporto de Bangkok, imaginei aquele transito paulistano, “tuck-tucks” e bicicletas brigando para passar entre os carros… mas naquela área do aeroporto, o transito ainda corria bem. Ao chegar perto da cidade comecei a ver ambulantes vendendo comida, das mais diversas (folha de bananeira na grelha, banana frita e outras frituras, bambu, espetos de animais não identificados, patos assados pendurados pelo pescoço, ovinhos minúsculos fritos, sacos plásticos com iguarias coloridas…), aglomeração de pessoas, casas de massagem, scooters, bicicletas, retirantes, pedestres…
Agora sim, tinha chegado em Bangkok.

Ao colocar os pés fora do aeroporto percebi que a capital tailandesa é uma enorme sauna úmida a céu aberto. Naquele instante, já refrescada pelo ar condicionado do carro, percebi que com seus mais de 9 milhões de habitantes, Bangkok além de úmida, é barulhenta, caótica, poluída, colorida e apaixonante.



tuk-tuk
Cheguei na casa de Pete, um terreno grande onde moram: a família dele, a avo, a tia e os dois tios. Parecia um sitio, com arvores de frangipani (flor semelhante ao jasmim), mangueiras e muito gramado.
Fui recebida pela gentil empregada que falava em tailandês e ria sozinha ao ver que eu não entendia nada. Ela andava atrás de mim tentando comunicar-se enquanto eu sorria tentando me instalar no quarto. Até que decidi usar minhas habilidades de Imagem e Ação para transmitir que iria tomar banho primeiro e comer depois.
Interpretei que ela estava perguntando se eu estava com fome.
Comer e alimentar é um aspecto intrínseco da cultura tailandesa.
Quando eles recebem uma pessoa, a primeira pergunta é:
“Está com fome?” ou “Já comeu?”
Vai um pouco com a linha filosófica de minha mãe: “Quem ama, alimenta”.
Meu café da manhã consistiu de um folheado (de alguma proteína), uma pequena maçã cortadinha (as frutas aqui, como no Japão, são minúsculas), suco de alguma fruta, me lembrou grapefruit, só que cor de abóbora, e um copo com um liquido leitoso, que ao provar vi que não era leite e sim algo parecido com creme de leite. Era meu primeiro desafio gastronômico. Me safei pois os anfitriões não estavam presentes. O creme de leite não descia.
Depois do café, fui recebida pela avó de Pete, que felizmente falava inglês. Ela me apresentou a Tuk, minha guia turística que ela tinha contratado para me mostrar Bangkok naquele dia. Ela estava preocupadíssima de me deixar andar sozinha pela cidade, já que Pete estava trabalhando e ela estava com dores na perna e não poderia me acompanhar.
E foi assim que fui tratada durante toda minha estadia na Tailândia. Uma gentileza e hospitalidade sem tamanho.

com minha pulseira de flores costuradas, típica oferenda de boas vindas
Minhas dezesseis horas de vôo para Bangkok começaram em Madrid. Eu tinha dormido lá uma noite na casa de uma amiga para tentar amenizar os efeitos de estar dentro de um avião por horas intermináveis. Afinal já tinha voado: Larnaca (Chipre) – Atenas – Madrid.
Depois de me “encaixar” no assento e tentar fazer daquele espaço limitado uma poltrona aconchegante (travesseiro de um lado,
casaco do outro, travesseiro do pescoço), peguei a revista da Qatar Airways.
Mencionei o luxo da Qatar Airways?
Começa no banheiro: limpo, cheiroso, arrumado, seco! Com direito a gel antibactericida, eau de toilette e creme hidratante; aeromoças gentis e sorridentes, e comida que de fato tem sabor; grande variedade de filmes, mais de vinte, desde Ben Hur ate Sex and the City.
A primeira reportagem da revista era: “Dicas para evitar jetlag” – os efeitos do fuso horário. Achei totalmente propícia para as longas horas de vôo que eu tinha pela frente. Mas depois de ler o artigo vi que seria uma tarefa difícil mesmo…
Entre elas:
- não consumir álcool (ahn? Só pode ser piada!)
- permanecer calmo (essa é mais fácil, segundo minha mãe, meu
umbigo deve ter caído em um avião)
-beber água
-fazer exercício (só levanto para ir ao banheiro, e olhe lá! Os filmes eram ótimos!)
-viajar de classe executiva ou primeira classe (isto só pode ser outra piada, e de mal gosto!)
Ao sobrevoar Doha, já deu para perceber o desenvolvimento da cidade. Vi um estádio imenso, todo iluminado. De lá de cima já causa impacto. Os poucos minutos que atravessei o aeroporto para pegar o vôo para Bangkok, me deparei com um dos duty- frees mais amplos e luxuosos que já vi.
Com o tempo contado para entrar no próximo vôo, lembrei logo da mala…
“Deve ficar por aqui… Será interessante chegar em Bangkok depois dessa longa viagem sem ter roupa para trocar” – pensei.
Porém o mais importante naquele momento era simplesmente chegar.
Ao entrar no segundo vôo, tive a impressão de ter dado uma volta no aeroporto e ter voltado pro mesmo avião, com os mesmos comissários de bordo. Deja vu? Ou seria o cansaço?
Minhas pernas já latejavam – a elefantíase estava apenas começando.
Aproximadamente dezesseis horas depois, sentindo os pés mais pesados, tive a alegre surpresa de ver minha mala na esteira do vôo 732 da Qatar Airways.
Não disse que essa companhia aérea era um luxo? Logística incluída!
Acostumada com a Iberia, meus pensamentos eram pessimistas.
Quando passei pela alfândega (que tinha uma placa dizendo que “proibido entrar e sair do país com drogas e imagens de Buda”), fui logo procurando uma placa com meu nome.
Pete, meu amigo que me hospedaria em Bangkok, tinha me mandando um email dizendo que o motorista dele iria me buscar. Nada de meu nome aparecer. Apenas placas de tours, viagens organizadas, hotéis. Fiquei rodando, achando que ele poderia estar atrasado.
No saguão do desembarque, era psiu para lá, psiu para cá.
Não eram cantadas, eram taxistas brigando para conseguir clientes.
Então pensei: esse é o momento em que compro um cartão telefônico, procuro um telefônico publico e ligo para Pete. Ou não, o motorista deve ta atrasado. Eu devia estar com a cara tradicional de uma turista que não sabe para onde ir, pois um policial me abordou perguntando para onde eu ia. Respondi que estava esperando alguém que vinha me buscar. Foi aí que ele me informou que as pessoas não podem entrar até aquela saída, todos ficam no final do terminal, por motivos de segurança.
Aliviada, segui para o “meeting point”, como eles chamam, e foi lá que achei a placa com letras garrafais soletrando meu nome. Era o motorista com o caseiro ou mordomo, que com o jeito subserviente tailandês, foram logo pegando minha mala, até minha bolsa queriam carregar.
Querendo ser simpática e quebrar o gelo, perguntei:
“English?” Ele balançou a cabeça com um sim.
Achei bom demais para ser verdade, e lembrei dos Japoneses, que dizem sim com a cabeça para tudo, mas não quer dizer sempre um sim.
Então tentei novamente:
“Do you speak English?”. Ele balançou a cabeça de novo e falou alguma coisa em tailandês.
Os diferentes países Asiáticos têm algumas coisas em comum.
Quando vejo/conheço/leio a respeito de jovens viajantes, eu vibro.
Valorizo o fato de agarrarem oportunidades.
Entendo a curiosidade.
Sei que priorizam o conhecimento através da vivencia.
Viajo junto com eles.
Há umas semanas atrás dois jovens – Pedro – cinegrafista e Roberta – surfista e cinegrafista viram a promoção da companhia aérea Azul que oferece por R$ 499 nada menos que trajetos ilimitados durante um mês para qualquer parte do país. Para onde eles tem rotas, claro. Arrumaram as mochilas, laptops, cameras e equipamento e correram pro balcão da Azul.
Começaram no Rio e botaram o pé no avião para ver o que o nosso Brasil tem de mais maravilhoso e conferir que ondas valem a pena.
Para compartilhar as experiências, o blog http://asincriveisaventuras.blogspot.com foi criado e nele são postados vídeos de surf, fotos de iguarias saboreadas, entrevistas e bate papos com pessoas que conheceram ao longo do caminho e fotos de paisagens incríveis.
O roteiro até agora:
Rio: Joatinga e Corcovado
Salvador: praia de Itapuã, Centro histórico, saudações a Iemanjá e acarajé da Cira. Moqueca também não podia faltar.
Vitória: Barra do Sahy, a remota praia Regência e moqueca capixaba.
São Paulo: entrevista com David Neeleman, fundador da Azul, na conferência CEO summit do Instituto Endeavor .
Porto Alegre: pista de skate no Parque Marinha do Brasil e por do sol no Gasômetro.

Em 1 mês percorrerão 12 destinos e criarão altas metragens.
Confiram e boa viagem virtual!
No dia seguinte fizemos um tour por Zurique – sede da Eurocopa e maior cidade da Suíça.
A cidade também é o centro comercial, econômico e cultural do país.
É conhecida como a capital cultural (a capital política, lembremos – é Berna).
Eu adoro Zurique (no verão) pela diversidade – é uma mini metrópole com fluxo imenso de imigrantes e expatriados, vida noturna animada, restaurantes de alta qualidade, lago e gramado para tomar um solzinho “a lá europeu”, museus e exposições de diversos segmentos de cultura…. e a lista pode continuar.

Peças de arte famosas podem ser encontradas nos museus Kunsthaus e Rietberg.
Para gastar uns bons francos suíços – nada como bater perna pela Bahnhofstrasse.
Para sentar e meditar enquanto admira-se arte, a igreja Fraumünster é um “must”, não por ser uma igreja somente, mas por ter vitrais imensos assinados por Marc Chagall.
Transitar por Zurique é “mamão com açúcar”, alias, como na Suíça por inteiro. Os trens são maravilhosos, pontualíssimos (se seu bilhete diz 10:23, esteja lá as 10:20, eles não estão de brincadeira, é 10:23 mesmo!) e você ainda pode alugar bicicletas para rodar a cidade.
Zurique já teve títulos como “melhor qualidade de vida” e “cidade mais cara”, tem gente que acha um tédio, tem gente que acha um assalto – tem que ser vivenciada para estar de um lado ou de outro das opiniões.
Durante a Eurocopa, bonecos gigantes de diversos jogadores de vários países foram colocados na estação de trem, a famosa Hauptbahnhof. Foi uma ação de marketing divertida e criativa.

O final da viagem foi justamente onde desembarcamos – na Basiléia.
O aeroporto da cidade, localizado no coração da Europa, tem o charme de 3 países, isso mesmo, 3 países! Ao desembarcar existem 3 saídas – uma para a França, uma para a Alemanha e outra para a Suíça. Escolha bem e não saia distraído.
Fomos visitar uma amiga que estava morando lá na época e simpaticamente apelidou a cidade de “Chatiléia”. Afinal, uma coisa é passear, outra é morar… No mini apartamentinho dela, uma espécie de conjugado, ficamos hospedados 6 mochileiros.
Deixamos as mochilas e já fomos pra rua, perto do “fanzone” – locais abertos com telões enormes para ver o jogo, o daquele dia era Holanda x Rússia.
A cidade era praticamente pontinhos laranjas. Invasão holandesa.

A Holanda ia perdendo e os holandeses perdendo a paciência….
Na praça principal, tinham caminhões enormes com pessoas em cima gritando, embaixo era uma multidão sem fim… (nas devidas proporções européias – talvez o equivalente de apenas metade do Maracanã).
Na ira dos holandeses, quando a Rússia fez mais um gol, voaram latas, cerveja, gritos e uma dessas latas caiu bem na minha cabeça. Fiquei com um galo durante muito tempo, mas tudo bem… sobrevivi.

A essa altura do campeonato, na tinha mais cerveja em temperatura ambiente (gelada na Europa, é miragem) Ou seja, só cerveja quente.
As geladeiras com espaço nos quiosques e a cerveja quente….
Não me contive – perguntei ao vendedor porque ele não colocava as latinhas naquela geladeira, ele respondeu que a UEFA manda colocar Coca-cola na geladeira da Coca-Cola e Heineken na geladeira da Heineken. E Pronto.
Cadê o jeitinho brasileiro?
Lá fui eu atrás de cerveja fria….
Não tinha em nenhuma maquina, dessas que vendem bebidas em lojas de conveniência, nem nas próprias lojas. Todos os supermercados fechados.
Entrei em um bar.
Só camisas laranjas.
E eu de camisa branca. (Ou seja, só poderia estar torcendo pra Rússia).
De repente ouvi:
“uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu”
Corri pro caixa e pedi: “3 beers to go please! Extra cold!”
Peguei as latinhas e saí correndo!
Algumas horas depois fomos acampar no apartamento de Sissi – sleeping bags e corpos estirados no chão.
Na manhã seguinte a Ryanair nos levou de volta para Valencia.
Almoçamos em Lucerna, uma cidadezinha de boneca, como todas as cidades Suíças…

flores no lago de Lucerna
O cenário quase sempre consiste de: os Alpes, as flores cuidadosamente plantadas, lagos, patinhos, pontes….
De lá, fomos pra Zurique, ficar hospedados na casa de uma amiga. Fomos pra rua onde tem o “fan zone” – um telão gigante passando o jogo. Fomos comprar uma cerveja em uma das “barraquinhas” da rua, custavam 6 euros cada um, claro que Gu quis negociar, 2 por 10. O vendedor nos informou que quem estabelece os preços é a UEFA! Portanto a cultura da pechincha ali não tem vez.
No dia seguinte fomos pra Interlaken, O intuito era Gu saltar de pára-quedas. Mas quando chegamos, as atividades estavam encerradas, precisava de reserva, enfim… ele muito frustrado ficou.
Sentamos pra almoçar e Gu fala que decidiu ficar em Interlaken aquela noite para no dia seguinte saltar. Eu prontamente disse que não ficaria com ele, afinal estávamos sem sacola, sem roupa, sem escova de dente, sem nada!
Ali em Interlaken vimos Felipao perder num telão em uma das praças.
Muitas cervejas depois…
Caiu a noite em Interlaken, que com o horário de verão, já era mais de meia noite – hora de voltar pra Zurique de carro.
Fui com Gu procurar um albergue pra ele ficar aquela noite. (Todos esperando no carro).
Na hora de me despedir, não consegui deixá-lo. Foi aquela despedida, parecendo que ele estava partindo pra guerra….
voltei pro carro, peguei minha bolsa (único pertence que eu tinha ali) e passamos a noite em Interlaken.
No dia seguinte, acordamos bem cedo para ir pro heliponto pra ele saltar. (Vou pular a parte que fizemos um asseio na pia, bochechando com água, etc.). Uma van nos buscou e fomos pra o local do salto.
Decidi acompanhá-lo. Por razoes de segurança, eu também tinha que colocar um pára-quedas, mas não, não saltei. Foi um passeio lindo de helicóptero, vendo os Alpes, chegamos pertinho das geleiras.

Apesar do verão na superfície, estava um gelo La em cima, ao ponto das mãos congelarem ao tirar as fotos.
Depois de admirar os pastos verdes, as vacas passeando, as casas de madeira, vi Gu se jogar de costas com a maior cara de felicidade.



Terminei meu passeio de helicóptero sozinha. E quando o helicóptero estava aterrissando, vi ele chegando de pára-quedas…

Depois foi a vez do bumgee jump, mas nessa aventura ele foi sozinho. Enquanto isso, eu pesquisa uma maneira financeiramente viável de voltar para Zurique, ate que tive que ligar pra minha amiga Camila pedindo SOS. Ela saiu de Zurique de carro, e foi nos buscar. Isso que é amizade! E olhem que amiga: levou uma muda de roupa para eu tomar banho! Abri a sacola na maior felicidade e notei que não tinha toalha – tinha ficado na varanda do apartamento em Zurique secando…. e o shampoo, condicionador e sabonete, também ficaram lá. Resultado, comprei um sabonete na loja indiana, e me lavei (corpo e cabelo) com o próprio… pra cabelo oleoso, o resultado é ótimo – uma palhoça tropical. E me sequei com minha camiseta.

Interlaken
Buscamos Gu no local do bungee jump a 30 minutos de Interlaken e partimos pra Zurique.Ainda tinha muita Eurocopa pra curtir…
Zurique e Basiléia ficam para o próximo post.
Quando morei em Valencia, fiz uma viagem a Suíça para o evento esportivo que o país sediava – a Eurocopa em 2007.
Vôo direto Valencia – Basiléia de Ryanair.
Preciso comentar da Ryanair… o “pau- de-arara” dos céus europeus…
Aliás, o que é essa vida low-cost?!
É um case study de marketing, uma tendência mundial…
Temos filhos mais tarde, nos mudamos de casa, de cidade, de país, com mais freqüência e facilidade, nossa vida virou meio descartável…
Vestimos Zara e H&M para estar na moda, um dia compramos flores imensas e cintos debaixo do peito…. no seguinte, aposentamos tudo – sem peso na consciência. É a tal moda democrática, barata e descartável.
Logo mobilhamos nossos pequenos apartamentos temporários, das nossas vidas transitórias com tudo da IKEA. Também descartável. Já não é mais prioridade moveis da vovó que durante uma eternidade, até porque em alguns anos já não somos mais cool, somos hippie, e depois somos trendy… Mobilhamos o micro apartamento, tudo bem moderninho e “clean”, pratico, claro, afinal, depois doa, vende, bota no Craig’s List, ebay… ou se tiver na Suíça, paga para doar.
Esse é o mundo low-cost, democratizando moda (de roupa e lar), viagens, serviços…
Alguém já’ viajou de Ryanair?
É assim….
Primeiro, o site e’ extramamente busy… botões e mais botões, cores primarias pulando em você….

mas enfim, você consegue escolher seus vôos, e vê que sua passagem custa
€39.99 de ida e €14.99 de volta…
Ai você pensa logo:
“Que ótimo!!!! Vou pra Suíça por 40 + 15 = 55 euros!”
Certo?
ERRADO!
Você não contou imposto, taxa de embarque, taxa de processar os dados, taxa de pagar com cartão de credito, taxa de aeroporto, taxa de usar internet, taxa disso, taxa daquilo…..
E claro, quer despachar bagagem? Taxa de despachar bagagem, ora!
Depois de todas as taxas…… claro, levei meu lanche pro avião….
É, eu sei, meio farofeira, mas é o estilo espanhol. Levam sanduíche para os jogos de futebol e compram vodca e refrigerante para beber na praça – o famoso “botellon” para não beber em bar.
Quando passaram a revista pra ler, fiquei com medo de aceitar, teria uma taxa de ler a revista?
Na hora de apertar o cinto – fatalmente teria a taxa de usar o cinto… fiquei procurando o lugar de colocar o cartão de credito do lado das bandejinhas….
As poltronas obviamente não reclinam….
Em cima dos compartimentos de bagagem tem verdadeiros outdoors anunciando os outros vôos da Ryanair, tudo amarelo e azul gritante!
Então a idéia é: sente, coma seu “bocadillo” (como os espanhóis chamam seus sanduíches) e durma… Acorde com escoliose, pegue sua mochila e saia o mais rápido possível.
Algumas horas depois……
Enfim chegamos na Basiléia!
Alugamos o carro e pé na estrada! O roteiro foi: Luzern – a primeira parada na rota, uma cidadezinha charmosissima, em seguida – Interlaken, para fazer esportes radicais e depois Zurique, para curtir uma das sedes da Eurocopa.
Ah, nada contra a Ryanair, aliás, adoro a companhia aérea pois já proporcionou varias “budget” escapadas pela Europa!
No próximo post contarei sobre as paradas da rota na Suíça.
Em Abril desse ano, aproveitei que ia pro Equador, e dei uma “esticadinha” ate o Panamá para visitar meus super tios, sim, super tios – aquele casal de executivos de multinacional que criam dois filhos pequenos, fazem ioga, correm 8 km, pegam 7 vôos por semana, recebem outros executivos em casa com um super jantar, tem vida social e ainda são bem humorados!
Minha primeira impressão do Panamá foi – mini Miami. O mar, os prédios, shopping centers abarrotados e mil e uma placas de “SALE!”, carros utilitários transitando pelas ruas e todas as marcas de hotéis mundialmente conhecidas.
Ate que fui conhecer o lado histórico cultural…
O Panamá Viejo, Patrimônio Mundial da UNESCO, são vestígios arquitetônicos (ou restos) da antiga Cidade do Panamá situada nos arredores da Cidade do Panamá.
Alem de ser a primeira cidade espanhola na costa pacifica, foi aonde iniciaram as expedições da conquista do império Inca no Peru. É uma atração turística de fácil acesso, ha apenas 15 minutos do centro da cidade, onde transita-se a pé pelas ruas de pedra e gramados.


O centro histórico ou “Casco Antiguo” é uma área menos barulhenta e mais charmosa da cidade. Varandas floridas decoram as ruas estreitas que tem lojas de artesanato a cada esquina. Na ponta esta a praça francesa com um pequeno monumento para os construtores franceses do Canal e uma vista panorâmica com a silhueta dos prédios da cidade do Panamá. Querendo comprar um chapéu do Panamá, esse é um bom local, lembrando sempre que o chapéu original, vem do Equador, ficou conhecido pelos operários da construção do Canal.



Falando em Canal…
O Canal do Panamá é um canal com 82 quilômetros de extensão, que corta o país, possibilitando a passagem do Oceano Atlântico para o Pacífico – uma espécie de atalho super estratégico para rotas comerciais.
A estrutura do canal é feita de grupos de eclusas (portas maciças de aço) nos dois lados, Pacífico e Atlântico que organizam a passagem dos navios e barcos. Todas as eclusas do canal são duplas, de modo que os barcos possam passar nas duas direções.


Algumas pessoas tentaram construir o Canal…
Primeiro foi a vez dos franceses. O construtor do canal de Suez, obteve permissão do governo da Colômbia, a quem a região pertencia naquela época, e iniciou a primeira obra.
Apesar da bagagem de experiência do canal de Suez, os franceses não tiveram sucesso. Tiveram grandes desafios com as diferenças de terreno e clima, enchentes e desmoronamentos, assim como malária e a febre amarela que matou muitos dos seus operários.
Depois foi a vez dos yankees…
O então presidente Americano Theodore Roosevelt, com interesses militares e econômicos, começou as negociações com os colombianos para obter a permissão da construção do canal.
O grande sucesso dos EUA foi a erradicação do mosquito da febre amarela. A morte dos operários diminui consideravelmente.
Após dez anos de trabalho e muita escavação, o canal foi finalmente concluído em 1913, com a presença do presidente americano Woodrow Wilson. Diversos trabalhadores das Índias Ocidentais trabalharam no canal, e numero de mortos chegou a 5.609.
O canal foi administrado pelos Estados Unidos até 1999, quando o controle foi passado para o Panamá.
O canal não apenas estabeleceu como uma rota comercial como também uma turística.
Esta obra arquitetônica gigantesca é dos pontos turísticos mais visitados do Panamá e realmente é de tirar o fôlego – da obra faraônica que representa.
Como nada é perfeito, a obra monumental teve um impacto ecológico sobre a costa panamenha devido ao desmatamento pela urbanização dos portos.
Existem vários grupos de ecologistas que tentam preservar as áreas da floresta ao redor para tentar compensar os danos causados durante as obras. Hoje, apesar de as construtoras serem obrigadas a apresentar laudos de impacto ambiental, a expansão do Canal continua.
Conseguiremos algum dia chegar a um equilíbrio sustentável?


Outro dia li um post no facebook que me fez refletir e dizia algo parecido com isso, que traduzi e adaptei:
Os privilegiados crescem ouvindo que são especiais.
Que são extraordinários.
Que são únicos.
São as crianças cuja os pais condicionam a acreditar que podem fazer qualquer coisa que façam com determinação.
Que tudo é possível.
Ate que um dia acordam ou simplesmente levam o tapa na cara da realidade, uma espécie de epifania, e percebem que são exatamente como todos.
Que não são nada diferentes dos demais.
Que estão no mesmo barco.
Que tem as mesmas inquietações, mesmos medos, mesmas aspirações, mesmos anseios.
E que no dia seguinte seguirão sendo essas mesmas pessoas.
POREM…
Tem aqueles que tem esse momento revelador e escolhem não acreditar.
Decidem não acreditar.
Essas são as pessoas que atuam como agentes de transformação e que vão adiante e mudam o mundo.
São os que negam uma realidade e criam outra – a própria.
Não pare de sonhar.


